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sábado, 18 de março de 2017

Bandura

Bandura

O desenvolvimento do instrumento Bandura reflete o desenvolvimento da nação Ucraniana, a Bandura é mais que um instrumento nacional. É a voz da Ucrânia.








A Bandura (ucraniano: банду́ра) é um instrumento musical muito utilizado na música folk do país.





A Bandura unifica os princípios acústicos do Alaúde e da HarpaTem sua origem em um instrumento chamado Kobza, que é menor, mais circular e com  menos cordas que a moderna Bandura.







Kobza: Instrumento musical de cordas com caixa acústica de formato oval e fundo côncavo, provida de braço um tanto longo sobre o qual se acham esticadas as cordas, cujo o número varia de três a oito. Foi introduzido na Ucrânia ainda no tempo dos príncipes de Kiev, por volta do século X, por andarilhos árabes.

É o mais popular dos instrumentos musicais ucranianos.
Seu aparecimento na Ucrânia data do Século XIV. Segundo relatos de época, foi introduzido por andarilhos procedentes da Europa Ocidental.

O instrumento combina características da Cítara e do Alaúde, assim como a Kobza, e enquanto no século XVII ele normalmente apresentava de 5 a 12 cordas, esse número gradualmente cresceu e no século XX o instrumento comumente apresenta 31 cordas, ou 68 cordas, no caso de instrumentos cromáticos para concerto.



Aqueles que tocam o instrumento são chamados bandurinistas, e tocadores tradicionais, frequentemente cegos, são chamados "kobzars".

Os dicionários da língua portuguesa registram Bandurra; porém na Ucrânia, como em outros países, a pronúncia é Bandura.

Graças a sua extraordinária sonoridade, esse instrumento foi aos poucos conquistando a   preferência dos Kobzari, nome dado aos menestréis que perambulavam de aldeia em aldeia, cantando as suas dumas (baladas) em que glorificavam os feitos heróicos dos exércitos dos príncipes de Kiev, e mais tarde, dos bravos cossacos do Zaporóze.



Em 1935, o Czar da Rússia baixou decreto proibindo o uso da Bandura, temeroso de que, através das suas mensagens, revivesse no povo ucraniano o desejo de reconquistar a liberdade. Os infratores, além de perderem o instrumento, eram punidos com severas penas, inclusive com o degredo para a Sibéria.

Com a queda do regime tzarista, as perseguições aos banduristas abrandaram sensivelmente. Atualmente este maravilhoso instrumento está bastante difundido não só no território ucraniano mas também nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Inglaterra e outros Países que acolheram imigrantes ucranianos.



Após sucessivos aperfeiçoamentos, a Bandura é hoje um instrumento tecnicamente completo e acessível a qualquer gênero de música. Atualmente existem três tipos de Banduras largamente utilizadas em concertos: A Bandura Clássica, que conta com 20 cordas;A Bandura Kharkiv, com 34 a 65 cordas e a Bandura Kyiv, com 55 a 64 cordas.

Existem ainda Banduras para crianças e adultos.






Leitura recomendada:
Diakowsky, M. A Note on the History of the Bandura. The Annals of the Ukrainian Academy of Arts and Sciences in the U.S. 4, 3–4 no. 1419, N.Y. 1958, С.21–22
Diakowsky, M. J. The Bandura. The Ukrainian Trend, 1958, no. I, С.18–36
Diakowsky, M. Anyone can make a bandura – I did. The Ukrainian Trend, Volume 6
Haydamaka, L. Kobza-bandura – National Ukrainian Musical Instrument. "Guitar Review" no. 33, Summer 1970 (С.13–18)
Hornjatkevyč, A. The book of Kodnia and the three Bandurists. Bandura, #11–12, 1985
Hornjatkevyč A. J., Nichols T. R. The Bandura. Canada crafts, April–May 1979 p. 28–29
Mishalow, V. A Brief Description of the Zinkiv Method of Bandura Playing. Bandura, 1982, no. 2/6, С.23–26
Mishalow, V. The Kharkiv style #1. Bandura 1982, no. 6, С.15–22 #2; Bandura 1985, no. 13-14, С.20–23 #3; Bandura 1988, no. 23-24, С.31–34 #4; Bandura 1987, no. 19-20, С.31–34 #5; Bandura 1987, no. 21-22, С.34–35
Mishalow, V. A Short History of the Bandura. East European Meetings in Ethnomusicology 1999, Romanian Society for Ethnomusicology, Volume 6, С.69–86
Mizynec, V. Folk Instruments of Ukraine. Bayda Books, Melbourne, Australia, 1987, 48с.

Cherkasky, L. Ukrainski narodni muzychni instrumenty. Tekhnika, Kiev, Ukraine, 2003, 262 pages. ISBN 966-575-111-5



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sexta-feira, 10 de março de 2017

Kalimba

Kalimba

A Kalimba ou Kisanji ou Tyitanzi, é um antigo instrumento musical africano feito com uma tábua de madeira e teclas planas de metal, que criam uma sonoridade complexa e bonita.







A Kalimba é um instrumento musical pertencente à família dos lamelofones, sendo da categoria dos idiofones dedilhados. Os primeiros lamelofones surgiram no Vale de Zambeze, próximo ao atual Zimbábue, na África Subsaariana. Eram feitos de materiais como madeira da palmeira de ráfia, bambu e outras matérias vegetais; datam de cerca de 1000 a.C. Posteriormente, esse instrumento se espalhou pela África, desenvolvendo-se em cada etnia de forma diferente, isso quer dizer que cada grupo social atribuiu ao instrumento alterações ao projeto original dando-lhe um nome próprio. Temos, a seguir, aspectos de diferenciação do instrumento: características como quantas teclas ele possui; se é construído dentro ou sobre um corpo e qual o material deste (cabaça, madeira de ráfia, bambu, coco, ou outros tipos de madeiras); se possui furos e a localização deles; ou ainda se são utilizados materiais acoplados às teclas para alterar o som.





Na Congo, e região da África Central, a Kalimba recebe o nome de Sansa, e tem a particularidade de ter apenas sete lamelas. No Zimbábue, recebeu nomes como Likembe, Budongo, Mbila.




Fazendo uma Kalimba






Por existirem várias designações africanas para os lamelofones, que variam conforme a língua e sua fonética, área geográfica, tipo de instrumento, sistema de classificação local e também, o contexto social, o mais adequado é usar a palavra lamelofone quando se trata de designar um instrumento genérico pertencente a esta família. Uma vez que o relato deste trabalho se refere à minha experiência pessoal, com um instrumento específico, utilizarei o termo Kalimba quando estiver me referindo ao lamelofone moderno, descendente da antiga Mbira. Alguns mitos da criação no vale do Zambeze contam como O Criador deu o metal para a raça humana com a função específica de fazer Mbiras, de fato, podemos dizer que a mbira remonta ao primeiro uso de metal na África Subsaariana, entre 700 e 1000 d.C.. Entretanto, muitos estudiosos presumem que as Mbiras com teclas de metal tiveram sua origem na Europa. A difusão da tecnologia de lamelofones do Zimbabue / Zambeze na África Central através do aumento dos contatos comerciais ocorreu com a chegada dos exploradores portugueses à África, por volta do ano 1400. Há registros do aparecimento de lamelofones no Brasil a partir do início do século XIX. A afinação encontrada foi na totalidade não-ocidental; havia quintas perfeitas nas afinações, porém os outros intervalos não se encaixavam no paradigma ainda em evolução da música ocidental. Mais tarde, certamente no ocidente, os lamelofones ganharam a escala ocidental de notas, escalas pentatônicas foram largamente utilizadas, escalas diatônicas e modos gregos foram difundidos no final do século XX. Os lamelofones com escalas cromáticas são recentes e ainda muito pouco difundidos.




Em outras localidades, o instrumento é conhecido como Karimba (em Uganda), Mangambeu (nos Camarões), Kondi (na Serra Leoa), Marímbula (no Caribe), ou outros termos, tais como: Likembe, Budongo, Ikembe, Huru, Mbira Njari, Mbira Nyunga Nyunga, Sansu, Zanzu, Karimbao, Marimba, Okeme, Ubo.


O som produzido pela Kalimba, muito suave e agradável, é frequentemente utilizado em cerimônias religiosas, casamentos, como fundo musical onde os mais velhos da tribo contam histórias, bem como em outros encontros sociais, típicos das sociedades africanas.

A Kalimba, em seus primórdios, era feita de bambú, depois foi acrescida de metal, nas lamelas; e conforme foi sendo disseminada, pelos diversos povos da África, foram aparecendo variadas formas e tamanhos, de acordo com cada região.

A versão moderna da Kalimba, pós-colonização europeia, é um instrumento que adaptou os formatos orgânicos de cabaças e madeiras originais, para uma caixa retangular, com uma ou mais bocas, e teclas de metal afinadas em uma escala ocidental, bem distante das escalas originais, pouco familiares aos ouvidos europeus.



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